(1) Sem histerese: lembra-se desta história? Pois. Nenhum jornal ou boa consciência ocidental(ista) faltou à chamada. The horror, the horror...
A Human Rights Watch (HRW) exigiu imediatamente um inquérito. Os "inquéritos" são uma espécie de novos autos de fé, uns papelinhos despudorados, cobertos de pieguices sentimentalistas e "indignações" profundas, cujo propósito único é a ratificação de um preconceito erigido em "conclusão". E o preconceito é quase sempre o mesmo: o judeu é a fonte do mal. Todos os outros são vítimas, umas directas, outras por perversa compaixão.
No dia 15 de Junho, os soldadinhos da HRW ainda marchavam, confiantes: mais "evidência" do envolvimento das Forças Armadas israelitas no "massacre" de Gaza. Massacre, claro: tratam-se de vítimas da grande injustiça. Ainda não percebi muito bem quantos inocentes israelitas é que precisam morrer para que a imprensa ocidental(ista) classifique o sucedido como um "massacre".
Já no caso de palestinianos, a coisa é razoavelmente clara: basta um. Sete vítimas, contando com algumas crianças, durante um pacato piquenique no meio de um campo de batalha —um erro compreensível— é naturalmente um massacre, auto-evidente sobretudo na culpa (note-se o carácter moral da condenação). Certamente que o "inquérito" ratificará esta verdade insofismável.
Ou talvez não. Perante o sólido e detalhado relatório apresentado pelas Forças Armadas israelitas, precisando o número e natureza das munições usadas na resposta a um dos inúmeros ataques palestinianos lançados a partir dos territórios de Gaza, a HRW reconhece a credibilidade do dito relatório. Ou seja: reconhece, tarde e a más horas, que participou activamente em mais uma operação de propaganda terrorista contra um Estado de direito.
Não estão sós: os meios de comunicação social ocidentais estão entupidos de colaboracionistas. Idiotas úteis, idiotas inúteis e loucos perigosos, categoria mais selecta, mas em crescimento —no mercado globalizado da pulhice, a especialização também é arma do canalha de sucesso.
(2) Com histerese: ainda há quem mantenha um módico de aspiração à verdade. E a verdade é que os acontecimentos daquele dia na praia de Gaza permanecem por explicar. Uma coisa parece ser clara, para além de qualquer dúvida razoável: as mortes e os ferimentos sofridos pelos palestinianos não foram causados directamente por qualquer acção militar israelita.
Melanie Phillips fez há dois dias o ponto da situação. O texto deve ser lido com atenção. Um artigo citado por Phillips, do Jerusalem Post de 19 deste mês, descreve, entre outras coisas, a condição clínica de Ralia Niham, a mulher que ficou gravemente ferida e que, depois de ter sido assistida num hospital de Gaza, foi transferida para um hospital... israelita. A parte relevante, citada no artigo de Melanie Phillips, é muito interessante (destaques adicionados):
Adenda: a propósito deste assunto, leia-se também este texto (com um agradecimento ao Miguel Noronha pela indicação do link).
A Human Rights Watch (HRW) exigiu imediatamente um inquérito. Os "inquéritos" são uma espécie de novos autos de fé, uns papelinhos despudorados, cobertos de pieguices sentimentalistas e "indignações" profundas, cujo propósito único é a ratificação de um preconceito erigido em "conclusão". E o preconceito é quase sempre o mesmo: o judeu é a fonte do mal. Todos os outros são vítimas, umas directas, outras por perversa compaixão.
No dia 15 de Junho, os soldadinhos da HRW ainda marchavam, confiantes: mais "evidência" do envolvimento das Forças Armadas israelitas no "massacre" de Gaza. Massacre, claro: tratam-se de vítimas da grande injustiça. Ainda não percebi muito bem quantos inocentes israelitas é que precisam morrer para que a imprensa ocidental(ista) classifique o sucedido como um "massacre".
Já no caso de palestinianos, a coisa é razoavelmente clara: basta um. Sete vítimas, contando com algumas crianças, durante um pacato piquenique no meio de um campo de batalha —um erro compreensível— é naturalmente um massacre, auto-evidente sobretudo na culpa (note-se o carácter moral da condenação). Certamente que o "inquérito" ratificará esta verdade insofismável.
Ou talvez não. Perante o sólido e detalhado relatório apresentado pelas Forças Armadas israelitas, precisando o número e natureza das munições usadas na resposta a um dos inúmeros ataques palestinianos lançados a partir dos territórios de Gaza, a HRW reconhece a credibilidade do dito relatório. Ou seja: reconhece, tarde e a más horas, que participou activamente em mais uma operação de propaganda terrorista contra um Estado de direito.
Não estão sós: os meios de comunicação social ocidentais estão entupidos de colaboracionistas. Idiotas úteis, idiotas inúteis e loucos perigosos, categoria mais selecta, mas em crescimento —no mercado globalizado da pulhice, a especialização também é arma do canalha de sucesso.
(2) Com histerese: ainda há quem mantenha um módico de aspiração à verdade. E a verdade é que os acontecimentos daquele dia na praia de Gaza permanecem por explicar. Uma coisa parece ser clara, para além de qualquer dúvida razoável: as mortes e os ferimentos sofridos pelos palestinianos não foram causados directamente por qualquer acção militar israelita.
Melanie Phillips fez há dois dias o ponto da situação. O texto deve ser lido com atenção. Um artigo citado por Phillips, do Jerusalem Post de 19 deste mês, descreve, entre outras coisas, a condição clínica de Ralia Niham, a mulher que ficou gravemente ferida e que, depois de ter sido assistida num hospital de Gaza, foi transferida para um hospital... israelita. A parte relevante, citada no artigo de Melanie Phillips, é muito interessante (destaques adicionados):
Niham suffered serious damage to her abdomen and upper limbs, with cuts all over her body as a result of the surgical intervention performed on her at Shifa Hospital in Gaza.Em função desta descrição, as questões de Melanie Phillips são extremamente pertinentes —diria mesmo óbvias, se não soubesse que o óbvio é, como se calhar sempre foi, uma questão estatística, dependente da atitude modal na sociedade:
Strengthening claims that the IDF was not responsible for the explosion, the Tel Aviv hospital said that no shrapnel was found in her body, except for one piece that was not reachable by surgery and would have to be left there. The damage to her body was "without doubt" caused by shrapnel.
Ichilov hospital did not accuse Shifa Hospital in Gaza of directly of removing shrapnel for no medical reason, but it said that it had never received a patient who was in an explosion with all the shrapnel removed (except for one unreachable piece).
So what happened to the shrapnel in Ms Niham’s body? Did the Gaza hospital remove it? Might that have been because it actually came from Palestinian ordnance, as has been persistently suggested ever since the Palestinians refused to cooperate with Israel’s inquiry? What was in Garlasco’s mind when he waved around those shell fragments and claimed for a certain fact that they were of a type used by Israel?Phillips, com mais decência e coragem do que a maioria dos jornalistas ocidentais, não recua e avisa (destaques adicionados):
Wars can be won or lost by propaganda. In the Middle East, such systematic fabrications and falsehoods about Israel ratchet up Arab hysteria, lead directly to the deaths of yet more innocents, and serve to demonise and progressively delegitimise Israel — not least because it generally makes such a botch of getting the truth into the public domain. Let’s hope that this time it actually nails the lie — and then let’s see Human Rights Watch and the British media in the dock.O Ocidente exportou a maior parte dos preconceitos ideológicos que alimentam visões culturais de despeito e desprezo pela sua civilização. É um longo suicídio político e cultural e a destruição de Israel não é o fim —é apenas o princípio do fim.
Adenda: a propósito deste assunto, leia-se também este texto (com um agradecimento ao Miguel Noronha pela indicação do link).